Um Estado de Liberdade


Baseado em fatos históricos ''Um Estado de Liberdade'', filme dirigido por Gary Ross (Seabiscuit - Alma de Herói) traz o período da Guerra Civil Americana no qual o fazendeiro Newton Knight (Matthew McConaughey) desiste de lutar por ideais que não parecem levá-lo mais a lugar nenhum,. Aliás, levam, mas somente ao cemitério onde precisa enterrar seus companheiros de luta. Um dia, o exército recruta seu sobrinho e o interiorano deserta de vez do movimento. Contrário a escravidão e cheio de princípios libertários, Newton se une a um grupo de negros, exilado próximo ao pântano do pequeno condado, e aos poucos mais e mais pessoas se rebelam e resolvem juntar forças com o grupo. 

Com o passar dos anos, o ex-soldado se envolve em lutas para libertar tanto condado como o povo negro. Newton chega, inclusive, a combater a influência do 'Ku Klux Klan', um bando racista do sul dos Estados Unidos que ficou famoso pelas inúmeras crueldades que praticava com os negro. Newton Knight forma então a primeira comunidade inter-racial do sul e há tempos separado de sua mulher Serena (Keri Russel), ele se envolve com a ex-escrava Rachael (Gugu Mbatha-Raw).

A película tem ainda no elenco Mahershala Ali, Jessica Collins e Lauwrence Turner e é uma das excelentes estreias desta quinta-feira (17)


A trama se passa no Estado do Mississípi a partir do ano de 1863 e vai se destrinchando até 1892 com o sub-enredo que envolve os herdeiros do ex-militar Newton Knight. Há espaço para trabalhar tanto o racismo como o inicio da democracia por meio de votos para os representantes dos condados. A mulher é ainda deixada para trás no filme, mas a consistência da luta contra o racismo é o recorte mais importante que se faz aqui.

Na verdade, de uma forma não linear, conhecemos a intrigante história de um homem com ideais justos e contra qualquer tipo de julgamento a pessoas de cor, classe e status. Um homem que saudava a todos como igual por apenas serem filhos do mesmo deus. Um redneck muito distinto dos tantos que existiram pelas bandas do tio sam. E o envolvimento de Newton com os negros, seja os amigos  brancos, negros ou até a esposa, diz bem como ele não distinguia e muito menos diminuía ninguém.

A fotografia é um dos pontos altos da película por exaltar a beleza do interior 
'Um Estado de Liberdade' apresenta um roteiro bem escrito e muito complexo. Com idas ao futuro e retornos ao presente, o que não confunde o espectador, e consegue deixar a história ainda mais atraente para quem curte produções de época. 

Gary Ross é famoso por direções fortes e delicadas e aqui mantêm esse mesmo nível de trabalho. Não se demora, mas também não é rápido. Conduz o espectador em uma dança lenta e o deixa preso no salão.

O diretor de fotografia, Benoit Delhomme, trabalha bem os espaços naturais e deixa a luz do dia mostrar a beleza inigualável do Mississípi. Nicholas Britell faz uma trilha simples, mas muito enquadrada naquele mundo. 



O elenco faz um trabalho incrível. O sotaque sulista puxado de Matthew é algo que ele conseguir nunca se desvencilhar, então cai super bem aqui. Keri Russell e Gugu Mbatha-Raw, vivem a primeira e a segunda esposa de Newton e há um conflito muito tenso no futuro dos filhos que ambas tiveram com o ativista. Mahershala Ali é ainda um dos grande destaque do elenco.

The Free State of Jones, nome da produção em inglês, é um exemplo da importância do cinema em nossas vidas, tanto pela reflexão que traz como pelas informações históricas.

Trailer


Ficha Técnica: Free State of Jones, 2016. Direção: Gary Ross. Roteiro: Gary Ross e Leonard Hartman. Elenco: Matthew McConaughey, Keri Russel, Gugu Mbatha-Raw, Mahershala Ali, Jessica Collins, Lauwrence Turner, Troy Hogan, Bill Tangradi, Christopher Berry. Nacionalidade: Eua. Gênero: Biografia, Drama, Guerra. Trilha Sonora Original: Nicholas Britell. Edição: Pamela Martim e Juliette Welfling. Fotografia: Benoit Delhomme. Distribuidor: Paris Filmes. Duração: 02h19min.
Não deixe de conferir!

Avaliação: Três tiros no peito e meio (3,5/5)

Hoje nos Cinemas!

See Ya! 
B-

Escrito por Bárbara Kruczyński

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