Mulher-Maravilha, de Patty Jenkins (3D)


Mulher-Maravilha sempre foi um personagem com alto poder de atrair o público de diversas idades. Criada por William Moulton Marston, lá nos anos 40, a super-heroína representava um suspiro meio a dominação masculina nos quadrinhos. Sua força chegou a tevê nos anos 70, com Lynda Carter no papel principal, e fez sucesso. Também foi vista em inúmeros desenhos animados, durante as décadas seguintes, mas um filme só dela era algo ainda improvável de ser realizado (na verdade, que só foi possível depois de quase 20 anos de planejamento).

Ano passado, em 'Batman vs Superman: A Origem da Justiça', o público conheceu pela primeira vez o rostinho que daria vida a Mulher-Maravilha, a atriz israelense Gal Gadot (conhecida por sua participação na franquia Velozes e Furiosos). Sua estréia não foi lá grandiosa, mas causou efeito e de imediato o filme solo com as origens da personagem se encaminhou - seguindo, claro, os planos do estúdio de trazer ao público produções com todos os personagens da 'Liga da Justiça' a telona. 

Filha de Zeus e criada entre amazonas na ilha de Themyscira, Diana Prince, tem a missão de lutar pela justiça e pela verdade e o longa, dirigido por Patty Jenkins (Monster: Desejo Assassino), que chega hoje aos cinemas, vem  com a tarefa de mostrar algumas das aventuras da guerreira antes de se juntar aos superamigos.

Além de Gadot, ainda estão no elenco, Chris Pine, David Thewlis, Robin Wright, Danny Huston,Connie Nielsen, Danny Huston, Eugene Brave Rock, Said Taghmaoui, Lucy Davis, Elena Naya, Lilly Aspell, Emily Carey e Ewen Bremner. 

A rainha das amazonas, Hippolyta (Nielsen) e a pequena Diana (Aspell)

Filha da rainha amazona Hippolyta (Nielsen), Diana (Aspell) inicia ainda pequerrucha seu treinamento com Antiope (Wright), comandante das amazonas e irmã de sua mãe, almejando proteger a ilha e também ser uma forte guerreira. Um dia, já adulta, o avião do piloto Steve Trevor (Pine) cai próximo a Themyscira e Diana descobre que o mundo dos humanos está em guerra. É quando a semideusa decide deixar seu lar e ajudar Steve a acabar com o conflito.

Os dois partem para Londres e por lá encontram Sameer ( Taghmaoui), Charlie (Bremner) e Chefe (Brave Rock). Steve apresenta ao grupo informações sobre um gás poderoso desenvolvido pela Doutora Maru (Naya) para que as forças inimigas ganhem a guerra sob o comando do general Ludendorff (Huston). O piloto ainda pede auxilio aos seus superiores, mas não consegue, contudo, não desiste da ideia e vai com o grupo para o meio da guerra impedir que os planos do general se concretizem. 

Saiam da frente: Mulher-Maravilha (Gadot) indo pra cima no campo de batalha

O roteiro nos dá a origem da personagem de forma bastante sólida. Trabalha as fases da vida de Diana, constrói nuances para cada uma delas e destaca que apesar da amazona ser inteligente e forte, ela carrega em si muita doçura e pureza.

O contato com o mundo exterior e desconhecido traz ótimas cenas de comédia. Diana chega a Londres em um período em que as mulheres estão lutando pelo voto e que ainda não tem força alguma perante a presença masculina. Não ocorre exatamente um choque, mas ela lida com tais questões sendo ela mesma e não dando a minima para os comandos autoritários do sexo oposto.

Certamente, nasce um romance entre Diana e Steve (que nos quadrinhos e na série de tevê é seu marido e a conhece durante a guerra). Aliás, o tempo da película ocorre no período da primeira guerra (e não da segunda, como em outras produções). A escolha acontece para dar a personagem carga dramática e vivência. Já que em Batman vs Superman, Diana diz ter visto muita brutalidade no mundo e ter dado as costas para isto. Além do uso de referências históricas reais (criação do gás mostarda), o roteiro também discorre sobre a origem grega de Diana e alguns contos da mitologia grega.

Há uma motivação muito especifica no ato final que desconstrói um pouco o discurso de empoderamento da personagem, mas, levando em conta que chegamos lá com ótimas surpresas, inclusive, o plot twist de quem é realmente o vilão, há de se reconhecer o bom resultado do filme.

O roteiro se baseia bastante nos quadrinhos mais recentes da heroína ( os lançamentos 'The New 52', por exemplo).

Sameer ( Taghmaoui), Trevor (Pine), Diana (Gadot),  Chefe (Brave Rock e Charlie (Bremner)

Como primeira diretora a conduzir um filme de uma super-heroína, Patty Jenkins conseguiu trazer não só esperança para os fãs da DC como ainda chamar a atenção para a necessidade de termos mulheres em destaque. A consistência que Jenkins consegue imprimir vai desde as tomadas mais amplas até as sensacionais cenas de ação com o uso da câmera lenta. Ela supera qualquer expectativa não criada para a produção e traduz versatilidade em seu cinema empoderado.

O casting é sempre algo que influencia muito no resultado final do filme e este aqui não é de um todo permeado de grandes astros, mas sim de bons atores. David Thewlis e Danny Huston tem a chance de representar homens fortes e o fazem ótimamente bem. Um lorde inglês e o outro um general alemão. A escolha para a turma de combate em que Diana entra é outro grande ponto notável. Dentre eles o mais conhecido é o inglês Ewen Bremner, de Trainspotting e sua sequência. Mas Said e Eugene complementam muito bem e fazem até você se lembrar dos personagens nos desenhos. Lucy Davis aparece como a secretária de Trevor e não sai despercebida. Chris Pine foi dono de muitas cenas engraçadas e emplacou um romance com leveza que faz o expectador se atentar as faíscas dos olhares entre ele e Gal Gadot. Já a nossa mulher-maravilha estava prontíssima para o papel e deu seu charme tanto quanto Lynda Carter na série de 75. Trabalhou distintos ângulos da protagonista  e fez com que todas as suas ações e reações se integrassem. Connie e Robin abrilhantam ainda o casting de amazonas e bate-se palmas pela diversidade mostrada ali.

O figurino da nossa adorada heroína, bem como das amazonas e do resto do elenco, foi desenhado pela ganhadora do Oscar Lindy Hemming e a artista revela que houve um cuidado muito especial para que as armaduras não só refletissem elegância como também não atrapalhasse nas cenas de luta. E quando vocês baterem o olho nas cenas em que Diana bota pra quebrar vão entender o porquê. A fotografia da película se transporta de um ambiente divino, em uma ilha paradisíaca (planos filmados na Itália), para o tom sombrio das cenas de guerra.

A trilha sonora é assinada por Rupert Gregson-Williams (ver aqui) e vem com sons magistrais em muitas dos takes de batalha. O longa também ganhou tema na voz da cantora Sia.

Trailer



Ficha Técnica: Wonder Woman, 2017. DireçãoPatty Jenkins. Roteiro: Allan Heinberg com argumentos de Zack Snyder, e Jason Fuchs - baseado no personagem criado por William Mouton Marston. ElencoGal Gadot, Chris Pine, Robin Wright, David Thewlis, Connie Nielsen, Danny Huston, Eugene Brave Rock, Said Taghmaoui, Lucy Davis, Elena Naya, Ewen Bremner. Trilha Sonora Original: Rupert Gregson-Williams. Gênero: Ação, Romance, Aventura, Fantasia. Nacionalidade: Eua. Figurino: Lindy Hemming. Fotografia: Matthew Jensen. Edição: Martin Walsh. Distribuidora: Warner Bros. Duração: 02h21min.

IMPERDÍVEL (em 2D ou 3D)!!!!!!!

Não recomendado para menores de 14 anos

Avaliação:  Quatro amazonas destemidas (4/5).

Hoje nos cinemas!

See Ya!














b-

Escrito por Bárbara Kruczyński

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2 comments:

Nathalia Ganesha disse...

Estou animada para ver o filme, eu ainda não consegui ver. Mas desde a aparição da Gal no B vs S eu estava esperando um bom filme dela :D

Wanna Be Nerd disse...

Agradecemos a visita, Nathalia!

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