It: A Coisa




Em IT- A Coisa, uma cidade do interior dos Estados Unidos é aterrorizada por um palhaço assassino que reaparece a cada 27 anos. A cada aparição do palhaço, a cidade enfrenta assassinatos em massa, sequestros e tragédias que parecem inexplicáveis. Apesar disso, os adultos da cidade não parecem se mobilizar para entender o fenômeno ou porque as crianças da cidade estão desaparecendo.

Bill Denbrough, um garoto gago e excluído da escola, se torna obcecado em descobrir qual foi a causa do desaparecimento de seu irmãozinho Georgie, no ano anterior. Ele e seus amigos resolvem começar a investigar os estranhos desaparecimentos da cidade.Quando estão procurando o corpo de Georgie no esgoto, eles acham o tênis de uma outra garota desaparecida, o que parece ser uma pista de que as crianças desaparecidas estão, de alguma forma, ligadas à rede de esgoto da cidade. É nessa cena que eles conhecem Ben, o garoto novo, que sofre bullying e agressão dos garotos mais velhos da escola. A partir dessas investigações, eles se aproximam, junto com Beverly Marsh, uma garota ruiva que sofre slutshaming na escola e vive uma situação terrível na própria casa e Mike, um garoto negro órfão que sofre racismo e agressões de garotos brancos da cidade. Juntos, esses personagens formam o “Clube dos Perdedores” (Loser’s Club), se tornando muito próximos uns dos outros, por conta de seus traumas e experiências com o palhaço.

“IT” - A Coisa se destaca de outros filmes de terror na sua tentativa de explorar o lado emocional dos personagens, e encobre a película com um ar de nostalgia da década de 80. Ambientado na cidade de Derry, no norte dos Estados Unidos, em 1989, o filme é muito bem sucedido em trazer referências dessa época, e consideramos que a nostalgia trabalhou a favor do filme, não ao contrário. Da mesma forma que o recente sucesso Stranger Things (2016) da Netflix, o verniz nostálgico de IT - A Coisa aumenta a imersão do espectador na história, além de acrescentar um charme característico para o filme.


No livro original de Stephen King, a história é dividida entre dois pontos temporais: 1958. que seria a infância do “Clube dos Perdedores” e 1985, com os personagens já adultos. A versão de 2017 decidiu não realizar esse salto temporal, e focou apenas na infância dos personagens, e a segunda parte será trabalhada em uma sequência. Apesar das minhas ressalvas com sequências, acreditamos que essa escolha foi a mais adequada considerando o material original. O livro de Stephen King tem mais de mil páginas, e o telefilme possui mais de 3h de duração ao total.Trabalhar apenas a infância do “Clube dos Perdedores” permitiu que o filme se aprofundasse muito mais nas temáticas emocionais dos personagens que, no fim das contas, se tornou o maior trunfo do filme.

A personagem mais instigante do filme com certeza é Beverly Marsh, a única garota do grupo. Sua história pessoal é a mais assustadora, empatada com a do protagonista Bill, e o machismo que ela sofre em Derry é indissociável da trajetória personagem. As cenas de terror e violência que ela vive com seu pai em casa são, de longe, as mais aterrorizantes do filme, e em muitas cenas ela é humilhada por outros personagens por conta do seu suposto comportamento sexual. O “Clube dos Perdedores” acolhe Bevvie, e tratam ela como uma a integrante mais forte e corajosa do grupo.

Acredito que, pelo grande número de personagens, as duas horas e meia da película não são o suficiente para se aprofundar muito em todos os personagens do Clube. A narrativa de Beverly, Bill e Ben são extremamente poderosas e conseguem tornar o filme muito especial, porém sentimos falta de entender as motivações de alguns dos outros meninos do grupo. Stan e Mike, em especial, ficaram muito apagados, e eu achei uma oportunidade perdida não tratar a questão do antisemitismo, no caso do primeiro personagem, e do racismo, no caso do segundo. No caso de Mike, as motivações de seus agressores claramente possuem um cunho racial (“Saia da minha cidade!”), mas isso nunca é dito explicitamente da mesma forma que o machismo no caso de Beverly ou da gordofobia no caso de Ben. Mesmo no livro de Stephen King, a questão de Mike é trabalhada de forma mais profunda.  Acho que em tempos de Donald Trump e da reascensão do neonazismo e do conservadorismo extremo no mundo todo, se posicionar mais em relação à tensões raciais tornaria o filme ainda mais profundo e forte.  

Ainda assim, o balanço de It - A Coisa é extremamente positivo. A crítica social por trás do filme é sutil, porém trata com naturalidade de temas muito pesados e consegue mesclar esses elementos com a mitologia do palhaço assassino. Consideramos um dos melhores filmes de terror dos últimos anos, por conseguir fazer esse delicado balanço entre o terror emocional e o terror do monstro.

Trailer


Ficha Técnica: It, The Movie, 2017. Direção: Andres Muschietti. Roteiro: Chase Palmer, Gary Dauberman, Stephen King. Elenco:Anthony Ulc, Ari Cohen, Bill Skarsgård, Chosen Jacobs, David Katzenberg, Edie Inksetter, Finn Wolfhard, Geoffrey Pounsett, Jack Grazer, Jackson Robert Scott, Jaeden Lieberher, Javier Botet, Jeremy Ray Taylor, Logan Thompson, Megan Charpentier, Nicholas Hamilton, Owen Teague, Pip Dwyer, Sophia Lillis, Stephen Bogaert, Steven Williams, Tatum Lee, Wyatt Oleff. Nacionalidade: Eua. Gênero: Terror, suspense, drama. Produção: Barbara Muschietti, Dan Lin, David Katzenberg, Roy Lee, Seth Grahame-Smith. Fotografia: Chung-hoon Chung. Estúdio: KatzSmith Productions, Lin Pictures, Vertigo Entertainment. Montador: Jason Ballantine. Distribuição: Warner Bros. Duração: 02h15min.


Por Hugo Figueira e Beatriz Moraes

Escrito por staff

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