Corpo E Alma


Endre e Maria trabalham em um matadouro. Ele ocupa uma função na chefia e ela acaba de chegar para avaliar as atividades realizadas ali. Um dia, por uma obra do acaso, os dois descobrem que estão tendo o mesmo sonho todas as noites. Nas imagens, eles aparecem como um casal de cervos apaixonados em um terreno gélido e distante. Se fazem companhia e estão sempre juntos. Maria é uma moça sozinha e independente, mas inexperiente quando se trata de relações humanas, já que apresenta traços de quem têm toc. Endre, por outro lado, é um homem mais velho e sempre viveu muito bem apesar de sua deficiência - um braço paralisado. Os dois se aproximam logo após entenderem o quanto é incrível estarem juntos todas as noites e não terem nenhum outro tipo de ligação. E assim os mundos de ambos fica mais colorido.

Dirigido pela cineasta Húngara Ildikó Enyedi, a película já foi premiada em oito festivais de cinema mundo afora, inclusive, na categoria de melhor filme no 67º Festival de Cinema de Berlim. No Brasil, passou pelo Festival do Rio e finalmente chega ao público nesta quinta-feira (21).

No elenco, Alexandra Borbély e Géza Morcsányi.

Trailer

 

A beleza de ''Corpo E Alma''  faz o espectador ficar apaixonado por este casal improvável logo de cara.  Há ingenuidade, curiosidade e afeto em muitos takes simbólicos que a diretora faz. Seu roteiro se desdobra em camadas quando traz como plano de fundo os outros trabalhadores do lugar e mostra os tipos diversos de pessoas que há por ali. Desde o funcionário que se acha o machão, mas não tem uma boa relação com a esposa até os que querem bajular o chefe ou o que é culpado por algo que não fez e se mantém integro. 

 Maria, personagem de Alexandra, é sempre a que desperta curiosidade por seus jeitos e manias. Está sempre só e quando a conhecemos mais a fundo entendemos o porquê com facilidade. Suas dificuldades, contudo, não são um obstáculo. Pois ela sempre está tentando ultrapassá-las e sentir o que ainda não sentiu ou viver o que pode ser bom para ela. 

 Endre, a principio, parece ser carrancudo, porém, essa imagem se desfaz num piscar de olhos. Aliás, ele tem um olhar muito intrigante e sua pessoa é sim muito atraente. Sua relação com os funcionários é sólida e ele sabe reconhecer quando erra. Algo difícil em muitos chefes. Todos sempre estão juntos no refeitório então não há porquê vê-lo como um superior já que ele se mistura a equipe e come o mesmo que eles. Até dá dica do que escolher para as refeições. 

Maria (Borbély) e Endre (Morcsányi) na volta para casa. Take belissimo do filme.
 A produção conduz o espectador por uma leva de simbologias. Desde a perceber o espaço físico - o matadouro e o que acontece por lá, a entender os momentos dos sonhos de Endre e Maria. A trilha sonora original é sempre certeira e delicada e faz a película ficar ainda mais sensível.

Há um contraste óbvio da fotografia que chama atenção. Cores mais sólidas nos sonhos, cores mais quentes em cenas reais de vivência dos personagens. Isto para mostrar como a relação pode ir esquentando e como a mudança na vida deles está chegando. Os movimentos de câmera, takes planos e escolha de um corte mais fechado, em algumas cenas, trabalham a sutilidade da trama que é indiscutível.

Aqui há leveza e estranhamento e fica perfeito. Indicadissimo. 


Ficha Técnica: Teströl és lélekröl, 2017Direção e roteiro: Ildikó Enyedi. Elenco: Alexandra Borbély, Zoltán Schneider, Ervin Nagy, Géza MorcsányiGênero: Drama, Romance. Fotografia: Máté Herbai   . Edição:  Károly SzalaiDistribuidoraImovision. Nacionalidade: Hungria. Duração: 01h56min.

Filme escolhido pela Hungria para inscrição ao Oscar 2018.

Avaliação: Três sonhos e oitenta corações sinceros (3,80/5).

21 de dezembro nos Cinemas!

See Ya!
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
B-

Escrito por Bárbara Kruczyński

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