The Post: A Guerra Secreta, de Steven Spielberg


Não é de hoje que a imprensa luta para não ser engolida pelos poderes públicos e privados (aqui ou em qualquer outro lugar do mundo) e em momentos em que nossos lideres mundiais investem em caminhos tortuosos e obscuros para governar vemos a história se repetir e tentamos não afrouxar as rédeas de nossa luta cotidiana.

Em ''The Post: A Guerra Secreta'', o diretor Steven Spielberg nos conta a jornada de Kat Graham (Meryl Streep), mulher da alta sociedade que se torna dona de um jornal local, 'The Washington Post', após a morte do pai e do marido e que precisa então comandar a diretoria do folhetim e não deixar a peteca cair, ou melhor dizendo, as máquinas pararem.

Kat se atentou ao fato do poder que o jornal tinha e gostava da atuação do mesmo. Assim, tenta a todo custo dirigi-lo sem que algum homem da diretoria a cale, mas o desafio é ainda maior do que se apresenta. Ali nas mesas de trabalho diário, ela tem disponível cerca de vinte cinco excelentes repórteres e os defende com muito orgulho para que não haja corte de pessoal em momentos de crise econômica. Seu editor-chefe, Ben Bradlee (Tom Hanks), é um vigoroso incentivador da equipe e é quando põe as mãos em documentos sigilosos do governo que entende o verdadeiro papel do jornal: ser livre para noticiar. 

Baseada em fatos reais, o longa entra em cartaz hoje com distribuição da Universal Pictures do Brasil.

Trailer

A produção traz a tona o caso judicial entre jornais e o governo norte-americano. De um lado estão os jornais revelando as falcatruas do governo em esconder 'suas falhas' durante o período de guerra, em diversas administrações, e do outro o poder público acusando a mídia de espiã dentro do próprio país. 

Somos assim apresentados a figuras reais da história toda e vemos sob a ótica de Spielberg a reviravolta que foi a mídia conseguir liberar informações que contradizerem o governo norte-americano. Servidores públicos indo contra o seu código de ética de trabalho e seguindo sua consciência de cidadãos, jornalistas correndo para dar notícia o mais rápido possível e balanceando isto as ajudas jurídicas para o fazer e uma nação em fervor pelas heranças tristes da guerra do Vietnã.

Na trama, os documentos sigilosos fazem parte de um estudo rigoroso que o secretário de defesa das administrações de Kennedy e Lyndon Johnson, Robert McNamara (Bruce Greenwood), fez sobre a guerra do Vietnã e traz a público como todo aquele movimento do governo foi uma ação falida. 

Para quem já assistiu ''Sob a Névoa da Guerra'', documentário sobre McNamara onde ele fala explicitamente sobre todo o período citado acima, o filme de Spielberg não traz nada de novo. Mas acontece que sua politização consegue ir para outros meios e tratar não só do papel da mídia em questões do tipo e também em como Kat acabou representando uma força incessante em um período em que homens ainda eram grande maioria em diretorias de empresas.

Meryl tem um atuação delicada, mas sabe exalar força quando quer.















Indicado a diversos prêmios de melhor do ano, inclusive, a seis globos de ouro (melhor filme dramático, melhor diretor, melhor atriz dramática, melhor ator dramático, melhor roteiro e melhor trilha sonora), ao Oscar de 2018, na categoria de melhor atriz para Meryl, The Post é sim um bom filme com a condução de Spielberg. Traz alguns clichês, faz ligações com filmes do passado (Todos Os Homens do Presidente e o próprio Forrest Gump em que Hanks é protagonista) e desperta o interesse pela propagação de sua ideia: a defesa da liberdade de imprensa.

Meryl havia trabalhado com Spielberg somente em ''A.I. - Inteligência Artificial'', mas de forma distinta, pois lá apenas 'dubla' a voz de um personagem, aqui é conduzida fisicamente por ele e atriz se revelou surpresa quando descobriu que o diretor não faz ensaios com a equipe. Mas Hanks que já sabia, e o próprio Spielberg, tentaram deixa-la confortável para ser a rainha que sempre é. E não é a toa que mais uma vez ela está entre as indicadas a melhor do ano. Sua Kat tem força , se desenvolve bem e chega ao fim de uma luta sendo altamente admirada. Hanks é vivaz aqui como sempre e tem ótimas deixas com sua equipe e com a própria Meryl. Há destaque para Bob Odenkirk, para as pequenas deixas de Sarah Paulson, Alison Brie e Michael Stuhlbarg e também para Bruce Greenwood, que interpreta o secretário de defesa McNamara e é amigo íntimo de Kat.


A trilha (ouça aqui) de John Williams adentra em momentos certeiros, mas não é exuberante. É centrada e não atrapalha o caminhar do longa. Figurino, ambientação e todo o design nos levam ao passado com primor e cautela. A fotografia aqui é assinada por Janusz Kaminski.



Ficha técnica: The Post, 2017Direção: Steven Spielberg. Roteiro: Liz Hannah e Josh Singer. Elenco: Meryl Streep, Tom Hanks, Sarah Paulson, Bob Odenkirk, Jesse Plemons, Michael Stuhlbarg, Bruce Greenwood, Tracy Letts, Bradley Whitford, Alison Brie, Matthew Rhys,   Trilha Sonora Original: John William Fotografia: Janusz Kaminski. Figurino: Ann Roth. Edição: Sarah Broshar e Michael Kahn. Distribuidor: Univesal Pictures do Brasil. Nacionalidade: Estados Unidos. Duração: 01h55min.


Não recomendado para menores de 12 anos
Avaliação: Três  e setenta e cinco assassinos (3,75/5).



25 de Janeiro, nos cinemas!


See Ya!




B-

Escrito por Bárbara Kruczyński

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