O Processo, de Maria Augusta Ramos


Em junho de 2013, os brasileiros saíram as ruas solicitando mudanças de seu governo. Algo tremendamente histórico (quem lembra do povão que tirou a bunda do sofá e foi gritar no congresso?)  e que dizia em alto bom som ''não aguentamos mais essas palhaçadas de vocês!". Infelizmente, toda aquela boa intenção da população que se levantou contra aumentos nos transportes públicos, má gestão do dinheiro arrecadado de seus bolsos, e claro, pelo fim dos corruptos e dos corruptores foi revertida em um ato 'licito' para não só dividir a nação como para ferir gravemente a menina democracia.

É fato, não só para o mundo, como para grande parte da nação que a inocente ajuda do povo reafirmou que homens de poder sabem muito bem como derrubar  presidentes, ou melhor presidentas. Dilma Vana Rousseff, eleita presidenta do país duas vezes, sofreu a acusação de ser estar gerindo nossa economia sem zelo algum e não conseguiu terminar seu segundo mandato. Tudo isto foi filmado e documentado pela cineasta Maria Augusta Ramos no transparente longa ''O Processo''.

Trailer
 

Maria Augusta Ramos traz aqui imagens captadas durante os dias em que o processo de impedimento contra a presidenta foi aberto e corroborado pela câmara dos deputados e pelo senado federal. Vemos a comissão de defesa tentar debater as acusações e se mostrar agoniada diante dos atos suspeitos do relator do processo e com toda a crise política que não permitiu um julgamento claro das acusações. 

Informativo e jogando data a data dos dias que se decorreram até a saída de Dilma, o documentário reflete sobre todo o trabalho da senadora Gleisi Hoffmann, do advogado-geral da União, José Eduardo Cardoso, entre outros, ao refutarem as acusações no congresso de que a Presidenta tinha culpa no cartório por deixar rolar as famosas ''pedaladas fiscais'' - termo que se refere ao atraso em pagamentos de repasses ao Banco do Brasil pelo Tesouro nacional que aliviaria a situação apertada do governo e foi usada mediante o empréstimo dado aos produtores pelos bancos públicos como equivoco proibido cometido pela gerência da Presidenta.

Mais importante ainda do que apresentar todos os dados do evento é ainda falar de como o documentário consegue trazer a comicidade da situação por diversos momentos. Todos os que aparecem ali, até a Presidenta Dilma, tem cenas em que nos fazem rir - para não chorar -mas é a co-autora do processo e advogada, Janaína Paschoal, quem estrela com vigor todo o alivio cômico, assim por dizer, da pataquada que foram os momentos na câmara e senado. Em busca, claro, de reconhecimento nacional como salvadora da Pátria, Janaína não só é contraditória como infeliz em trocentas falas e participou ativamente de todo o evento. Em certa cena, assistimos a jurista conversar com ativistas do movimento contra o aborto e temos a presença do 'discurso de pessoas de bem' na luta contra o 'mal'.

Os 15 minutos de fama de Janaína Paschoal, a comediante
Meio a defesa de Dilma, a perseguição e liberação dos podres de todos no congresso foi diária. Nem a senadora Hoffmann escapou (seu marido foi preso por receber propina, entre outros) e ficamos com a clara reflexão de como todo o sistema é corrompido e ainda necessita de muita atenção para trabalhar sem culpa. 

'O Processo' acaba sendo um retrato das farsas que nosso país ainda deixa acontecer, um relato das injustiças que podem ter sido feitas, mas ainda assim uma chamada na consciência de como o brasileiro ainda precisa se reformular e melhorar para não deixar algo tão vergonhoso acontecer no futuro.

Dilma que raramente faz bons discursos conseguiu falar com clareza em seus momentos finais como Presidenta
A produção passou por diversos Festivais de Cinema, entre eles: Festival Internacional de Berlim (Panaroma), Festival Internacional de Filmes de Visions du Réel, na Suiça, o Hot Docs, no Canadá, o IndieLisboa, em Portugal, e também o Documenta Madrid, na Espanha, logo no inicio do mês Maio. 

Ficha Técnica
Direção e roteiro: Maria Augusta Ramos. Estrelando: Janaina Paschoal. Com: Dilma Rousseff, Gleisi Hoffmann, José Eduardo Cardozo, Janaína   Direção de Fotografia: Alan Schvarsberg. Som: Marta Lopes. Edição de Som: Bernardo Uzeda. Mixagem: Gustavo Loureiro. Direção de Produção: Paula Alves. Produção Executiva: Maria Augusta Ramos. Montagem: Karen Ackerman. Uma Produção de: Nofoco Filmes. Distribuição: Vitrine Filmes. Co-Produtoras: Autentika Films, Conjin Film e Canal Brasil. Duração: 02h17min.
Avaliação: Quatro tiros fatais na democracia (4/5).
Classificação: Livre
17 de maio nos Cinemas!
See Ya!

B-

Escrito por Bárbara Kruczyński

    Comentários Blogger
    Comentários Facebook

0 comments:

Postar um comentário

Pode falar. Nós retribuímos os comentários e respondemos qualquer dúvida. :)